Streaming e a Democratização do acesso ao Cinema

Reprodução/Google

No final da década passada, ocorreu uma das Revoluções Tecnológicas mais interessantes dos últimos anos e que estabeleceu um novo alvo para as produções cinematográficas do mundo inteiro, facilitando o acesso a Sétima Arte mas também em muitos casos, diminuindo a puro entretenimento.

A plataforma de Streaming que mais se popularizou foi a Netflix. Desde que estourou com sua House of Cards, a empresa vem investindo cada vez mais em produções de grande calão, muitas vezes visando premiações, assim gerando uma grande concorrência que quer ir no mesmo caminho.

Disney+, Amazon Prime, HBO MAX, HULU. Esses são apenas alguns nomes que vem investindo em plataformas, e trazem uma vasta variedade de filmes e séries por preços que variam de país em país.

Mas, uma pergunta vem sendo feita com frequência: eles realmente democratizam o acesso ao Cinema?

Afinal, a ideia de reunir diversos gêneros de vários anos em um só lugar parecia promissora, talvez um jeito de salvar os Grandes Clássicos e, quem sabe, reapresentar para um novo público. No entanto, como visto nesse gráfico feito pela Ampere Analyses – empresa focada em análise de dados dos mercados globais de mídia -, é possível perceber que o foco é exibir produções mais recentes, tentando buscar um público alvo mais jovem.

O conflito é estabelecido ao olhar o descaso com as produções mais antigas – como no caso da Netflix, em que filmes anteriores aos anos 2000 ocupam apenas 7% do total. Em 2015, a Sétima Arte completou 120 anos, e muitos das obras produzidas estão se perdendo com o tempo, já que o público está se moldando a uma era onde efeitos especiais, super heróis e séries são o foco da Indústria.

A Democratização é certeira e bem vinda, ainda mais em tempos de ingressos caros e quarentena. Mas ter senso crítico é necessário, para perceber que Cinema é arte, e merece seu devido espaço e reconhecimento.

Afinal, nesses mais de 100 anos ignorados pelas plataformas, existem filmes divertidos, que emocionam, assustam e fazem refletir. Diretores que trazem tramas inovadoras e únicas, além de atores que tiram lágrimas com apenas um sorriso. Existem retratos históricos de toda a humanidade, e ficções cientificas mais críveis que a própria realidade.

A mudança é necessária, para que a Arte não se torne um mero hobbie.