Artigo | Como as crises potencializam os discursos políticos

Foto: Valor econômico

Este ano já tinha seus eventos importantes marcados, as olimpíadas e as eleições são exemplo disso. Não podíamos imaginar que seríamos impactados drasticamente por uma pandemia.

Fomos diagnosticados rapidamente e o resultado foi crise. Além da crise sanitária, nossos sintomas enquanto sociedade foram imediatos. Sem ministro fixo da saúde, troca do ministro da educação e justiça, tudo muito confuso e incerto. O que pode e vai influenciar na opinião dos cidadãos nas eleições.

Em uma coletiva de imprensa, no dia 24 de abril, o governador de São Paulo, João Dória, diz que paralelo ao combate contra covid-19 estamos enfrentando um vírus que está no palácio do planalto. Se o nosso país é como um grande organismo vivo, podemos entender que nosso sistema imunológico está comprometido.

Nas eleições presidenciais de 2018, o próprio Dória declarou apoio ao atual presidente. Daí, a explicação sobre uma das condições de um vírus, ele é um parasita, por isso, só se reproduz com um hospedeiro. Um só ganha visibilidade quando apoia o outro até o ponto que lhe é conveniente para o palco político.

Contudo, os eleitores este ano não levarão em conta os projetos de lei dos parlamentares que pretendem se reeleger, nem tampouco se preocuparão com a proposta de governo municipal dos prefeitos.

O que conta daqui para frente é como os candidatos à reeleição gerenciaram a questão da saúde, economia e educação do seu munícipio. Sendo assim, a crise sanitária potencializa os discursos políticos, preparando um território propício para ganhar ou não a eleição que acontecerá dia 15 de novembro.

O coronavírus criou novos eixos de opinião e polarização política. Desta forma, a situação se enfraquecesse a cada dia, enquanto a oposição se fortalecesse. Os discursos da economia versus saúde se opunham desde o início e essa questão que era para ser comprovada pela ciência tornou-se política.

Os candidatos apresentam suas propostas, fazem promessas, campanhas eleitorais, ganha confiança do povo, isso tudo em dias normais. No entanto, mesmo realizando tudo isso, a população ainda não pode afirmar com certeza se tudo ou parte do que prometeram será cumprido.

Mas diante do triste cenário que temos vivido a crise expõe a vulnerabilidade social e financeira. A crise é o palco perfeito para as apresentações políticas, afinal, o melhor momento para mostrar serviço estratégico, empatia, honestidade, preocupação com a sociedade, transparência e muitos outros adjetivos que atraem o povo, acontecem agora.

Os prefeitos nesse último ano de mandato têm que lidar com uma situação atípica, mas é o momento exato para mostrar para os cidadãos o porquê merecem ficar no próximo ano. A pandemia exige a demonstração de ações efetivas com a sociedade. A solidariedade, dos políticos torna-se essencial.

Não se sabe ao certo quando teremos a vacina contra a Covid-19, mas uma coisa é certa, precisam (governantes) de uma injeção da verdade e  transparência com o povo. A dificuldade de obter dados sobre o novo coronavírus em São Paulo, revela ou má gestão, por não controlar os números, ou crime por não apresentar corretamente os dados à população.

Por este motivo, alguns eleitores mudaram de opinião e voto em relação às eleições deste ano. Através da crise conseguimos visualizar melhor as ações políticas e os interesses, seja do governo municipal, estadual ou federal.

Com a “humanidade” comprometida, nosso país deixou de ser saudável há algum tempo, a pandemia só escancarou os problemas e apresentou novos. E se assim continuar, teremos falências múltiplas de órgãos públicos. Nós, enquanto cidadãos brasileiros temos o poder de decidir a saúde do Brasil.