‘Olhos que Condenam’ é uma realidade cada vez mais presente no Brasil

Cena da série "Olhos que Condenam"

Acusações motivadas pelo preconceito que resultaram em anos de condenação 

Em uma madrugada dos anos 80, cinco jovens negros foram acusados de forma impiedosa por um crime cruel. Kevin Richardson, Yusef Salaam, Raymond Santana, Antron McCray e Korey Wise, esses são os nomes dos acusados. Manipulados e forçados a confessarem um crime que não cometeram, foram julgados e condenados a 7 anos de prisão, exceto Korey Wise, que por ser maior de idade, teve uma condenação mais longa. 

A série “Olhos que Condenam” foi lançada em 2019 pela Netflix, e em quatro episódios marcantes, conta a história de jovens que foram acusados injustamente por um estupro contra uma corredora, que ocorreu no Central Parque, em 1989. Ao decorrer da história, a série mostra filmagens reais dos interrogatórios, onde estão presentes os resultados das manipulações. 

Apesar de nenhum dos exames realizados com a vítima ter apresentado envolvimento dos jovens, ninguém se atentou em associar o caso com as séries de estupros que aconteciam na época. Matias Reyes, autor do crime, já estava preso por outros casos, mas somente em 2002 confessou sua autoria, resultando a libertação de Korey, o último a ser solto, depois de aproximadamente 13 anos. 

É uma história que nos choca de diversas formas, em especial pela incrível representação dos atores e a verdade que passa, mas o impacto é ainda mais forte quando descobrimos que a série se trata de um caso real, de jovens que passaram boa parte de suas vidas com a liberdade violada. 

A injustiça escancarada  

Longe de ser normal, no Brasil, prisões injustas e sem provas acontecem constantemente. Segundo dados da revista ISTO É, atualmente 40% dos presos brasileiros estão nestas condições e são considerados, presumidamente, inocentes, e muitos deles não contam com assistências jurídicas para provar a inocência. 

Por esses motivos, em 2016 surgiu o Innocence Project Brasil, uma associação sem fins lucrativos que visa enfrentar a questão de condenações de inocentes no país. A associação integra o Innocence Network, uma rede de 57 organizações dispostas ao redor do mundo, e que já reverteu condenações de mais de 350 inocentes. 

Em muitos casos é difícil reunir provas que comprovem a inocência do acusado, e esse é o papel do projeto, apresentar essas provas através de um trabalho árduo e retomar a liberdade dos acusados. No site da instituição, é possível encontrar relatos e histórias de pessoas que tiveram sua inocência validada a partir desse incentivo e apoio.