Mais uma vez a cidade de Mauá não elege mulheres

Câmara Municipal de Mauá

Mesmo com um aumento significante na quantidade de candidatas femininas em 2020, a cidade mais uma vez segue sem nenhuma mulher eleita

Apesar de mais da metade da população e do eleitorado ser composta pelo sexo feminino, a cidade de Mauá não possui nenhuma vereadora em exercício há muito tempo. Desde o início da política do município e com o passar dos anos, a quantidade de mulheres na câmara vem sendo cada vez mais escassa, representando, desde os anos 50, menos da metade dos vereadores.

Nas eleições de 2016, foram 303.058 o número de pessoas que elegeram os candidatos, sendo mais da metade as mulheres do município. Ainda nas eleições daquele ano, o total de mulheres que não tiveram nenhum voto foram nove, mais do que o dobro da quantidade de homens que não receberam votos. 

Além disso, em sua história política a cidade nunca teve uma mulher no comando da prefeitura. E na presidência da câmara não é diferente, a cadeira já passou por 26 vereadores, mas nenhum deles eram do sexo feminino, trazendo cada vez menos representatividade para as mulheres da cidade.

Vote nelas Mauá

Conversamos com Rita de Cassia, uma das embaixadoras do movimento Vote Nelas em Mauá, um projeto criado para valorizar candidaturas femininas. Nas redes sociais o coletivo já reúne mais de 600 apoiadores, e durante a campanha para as eleições desse ano, o perfil divulgou informações sobre as candidatas da cidade, apresentando as mulheres que buscavam representar a população feminina na câmara.

A a partir de dados coletados pelo Vote Nelas, as campanhas de candidatas do sexo feminino receberam apenas 1,9% do fundo partidário, o que dificulta a visibilidade das mulheres e consequentemente faz com que não sejam “conhecidas” pelos moradores, assim fazendo com que não atinjam a quantidade necessária de votos para serem eleitas.

Além disso, grande parte dos candidatos à prefeitura pouco citavam as mulheres em seus planos de governo. Rita diz que “Precisa que dentro dos próprios partidos eles tenham essa visão e entendimento de que a mulher precisa sim fazer parte, porque nós somos a maioria do eleitorado e a maioria da população, precisamos ser representadas”.

Cotas para candidaturas de mulheres

A lei eleitoral em vigor, Lei 9504/1997, indica que os partidos ou coligações devem reservar 30% das candidaturas em eleições proporcionais (para vereador/a, deputado/a estadual e deputado/a federal), para as mulheres. Mas apesar desse incentivo da lei, as mulheres ainda são minoria quando o assunto é política.

Muitos partidos utilizam apenas de um cumprimento de cotas, convidando as mulheres para participar das eleições somente para atingir o percentual necessário, ou utilizando “candidaturas laranjas”. Rita acredita que a melhor forma de ir contra esse sistema, é trazer mais mulheres para as estruturas dos partidos, e mais representatividade nas câmaras.

Antes e depois das eleições

A análise dos planos de governo, infelizmente não é algo comum entre os brasileiros, mas a embaixadora do Vote Nelas lembra da importância de votar em candidatos que realmente nos representam e tratam dos temas que temos como relevantes, e também observar como o candidato se comporta para o bem comum, como expressa seus compromissos.

Mas as eleições foram apenas o começo para as mudanças efetivas no nosso meio. As fiscalizações e cobranças após as posses dos cidadãos que foram eleitos, também é uma etapa importante no exercício da democracia. Segundo Rita, “É necessário acreditar no poder do voto como uma mudança na sociedade e uma construção social mais justa, mais inclusiva e menos desigual.”