Grupo no Facebook realiza Festival de Curtas produzidos por seus membros

Comenta-se, com frequência, a respeito do crescimento da comunidade cinéfila na Internet, e muito dessa evolução vem dos grupos e fóruns nas redes sociais. Antes vistos como pedantes, eles encontraram lugares onde amar a Sétima Arte é natural e se expressar não é proibido.

Conforme o Cinema se incorporava a cultura pop, se tornando essencial, esses grupos se popularizavam cada vez mais, com muita irreverência e acidez. No Brasil, temos como exemplo o Reserva Cinefila, com mais de 129k de membros, Cinéfilos Malditos e seus quase 23k, ou mesmo o polêmico e engraçadíssimo Planeta Hulk Cinéfilo com 4,7k.

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No entanto, um deles se destaca por levar adiante a ideia de falar sobre filmes, e estimular os membros a produzir seus próprios curtas. O Cinema e Shitposting, pequeno e promissor grupo do Facebook, premiou no dia 18 de Julho de 2020 nove produções em seu primeiro Festival de Curtas.

“…a ideia da mostra nasceu há algum tempinho, nos primórdios do grupo, mas não levaram pra frente, então durante a quarentena, tempo em que muitos tão nesse ócio criativo, resolvi retomar esse projeto e abrir as portas pra que o nosso grupo além de uma “zoeira”, como o próprio nome Shitposting já diz, fosse algo que ajudasse e apoiasse seus membros em seus projetos e sonhos de fazer cinema.” comenta Guilherme Cortês, organizador do festival e administrador do grupo.

No total foram produzidos 34 curtas independentes, no qual o grande vencedor levando 4 prêmios foi Isto Não é uma Ficção. O curta acompanha a história de Heleno Teixeira Filho, portador de uma doença desconhecida tentando se adaptar a sociedade.

Phone Pictures

E desse projeto, nasceu algo mais inesperado, a criação de uma produtora de filmes independentes, sem viés lucrativo. A Phone Pictures nasceu com o intuito de apoiar e engajar mais esse meio cinematográfico. Fundado por Cortes, Otávio Gaudencio e Maria Izoton, a produtora já tem 7 filmes disponíveis em sua playlist no Youtube, e com novos projetos pela frente.

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Eu acho o conceito bacana pra consolidar como uma produtora de fato, poder lançar filmes independentes e com o menor compromisso burocrático possível, gente com o interesse de produzir de fato, sem se prender pelas impossibilidades que a gente cria” explica Miguel Possebon, que se juntou recentemente ao projeto.

Fazer filmes no Brasil não é fácil. Além de extremamente burocrático, o público não é facilmente agradado com o que é produzido, muitos desistem por esses motivos e migram para outras mídias mais populares. No entanto, o respingo de esperança para que nosso cinema não desapareça vem de atitudes como essa, que expressam a criatividade do nosso povo. Independente da classe social, o amor ao Cinema prevalece e demonstra resistência.