200 reais e seus impactos na economia do Brasil

Imagem ilustrativa do Banco Central/ Foto: Reprodução

Depois do anúncio do Banco Central, muitas são as dúvidas dos brasileiros. Economista informa os motivos para sua criação e a consequência dela na economia

Programada para começar a circular no fim do mês de agosto, a nota de R$ 200 terá estampado o lobo guará. De acordo com o BC serão impressas 450 milhões das novas cédulas. É a primeira vez em 18 anos que o real ganha uma cédula de novo valor.

Para tirar a dúvida dos brasileiros quanto a novidade, o Portal Epifania entrevistou César Esperandio economista, sócio fundador do portal de economia Econoweek e colunista do UOL.

César explicou que a criação da nova cédula não é uma manobra para conter a desvalorização. “Segundo o anúncio do Banco Central essa nota já era um projeto que estava engavetado, aguardando o melhor momento. O que aconteceu nessa situação…. Houve por conta da pandemia um aumento da demanda por dinheiro em circulação e outros motivos…”

Os motivos para a criação, segundo o economista são:

  • Demanda maior por papel moeda: Durante a pandemia, em todos os países teve um descolamento total da demanda por papel moeda, subiu abruptamente. E de acordo com o especialista é algo que a teoria econômica prevê.

“A gente está vivendo um momento de muita incerteza e o papel moeda traz uma sensação psicológica de segurança. Então tem muita gente que tem medo, que não confia no banco. […] Então a circulação começou a ficar deficiente por conta desse maior entesouramento.’’ Explica.

  • Problemas na fluidez do sistema financeiro: Normalmente a população recebe e gasta em lojas varejistas, por exemplo. O lojista deposita na conta e o dinheiro volta para o sistema financeiro. Como as lojas estavam fechadas, devido a quarentena, o dinheiro advindo, por exemplo, do auxílio emergencial não estava completando esse círculo.
  • Reposição: Quando se têm uma nota muito velha, geralmente basta ir em uma agência bancária e trocar por uma nova. Na agência eles destroem essa nota antiga, por isso há a necessidade de repor essas notas emitindo outras novas.

Nesta impressão do Banco Central de 450 milhões de cédulas de R$ 200, serão impressas notas de R$ 100 também, outro fator que explica o motivo da reposição.

  • Custo e Logística:  Se imprimir 100 bilhões de reais em notas de 100, precisará do dobro de logística aplicada para transportar essa quantidade de moeda, por exemplo. Agora em relação ao mesmo valor monetário em notas de 200 esse custo e logística seria efetivamente menor.
  • Aumento dos preços: Uma nota de R$ 100 alguns anos atrás compravam muito mais coisas do que atualmente. O preço das coisas naturalmente sobe em uma economia saudável!
  • Nível desejado de inflação: Neste caso, as notas menores deixam de fazer sentido e entra a necessidade de notas maiores, por exemplo.
Foto: Joel Santana/ Pixabay

Sem Inflação

O Banco Central informou que o país está seguindo as metas de inflação, de acordo com o compromisso com a estabilidade de preços. O regime de metas para inflação é um conjunto de procedimentos, que visa garantir a estabilidade de preços no país.

O economista informa que mesmo com o super aumento de demanda por papel moeda, isto não implicará e nem causará uma inflação. “Quando lançamos a nota de R$ 100 , não foi ela um causador de inflação. Quando a gente se uniu a nota de R$ 1,00 também não foi essa extinção do causador de uma queda da inflação ou de uma desinflação, que é a inflação negativa”.

De acordo com Esperandio, as consequências serão positivas como maior fluidez e uma lubrificação na grande máquina que é o sistema financeiro.

Mas o mundo não está migrando para as transações digitais?

Segundo Esperandio, a tendência pela digitalização é somente preferências individuais. O Banco Central, nem o governo podem obrigar essa “migração” para as pessoas.

“Ele pode criar meios para facilitar isso, como por exemplo, acabou de lançar o PIX que vai ser a nova tecnologia que possivelmente vai substituir TED e DOC porque é muito mais eficiente, funciona 24 horas por dia 7 dias por semana interruptamente, e há um custo muito menor.” Informou.

Economia durante a pandemia

Embora a economia esteja se recuperando e surpreendendo os investidores. O índice do número de desempregos cresceu muito diante do cenário atual, como mostra o gráfico a seguir do aumento de requerimento por seguro desemprego.

Boletim Regional – divulgado pelo Banco Central

“Vale a pena diferenciar a economia real do mercado financeiro, as bolsas se recuperaram em uma velocidade bastante rápidas […] A economia real diz respeito às empresas, então uma recuperação meio lenta.”

César Esperandio – Econoweek