11 de Setembro: a herança política e fundamentalista do maior atentado terrorista da história

Nesse mesmo dia, há 19 anos, o mundo parava em frente a televisão para ver aquele que se tornaria o maior ataque terrorista já visto. Extremistas da rede terrorista Al Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais e dois deles, colidiram contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Aquele dia de pânico e terror terminaria ainda naquela manhã, com 2996 vidas ceifadas, começaria alí, o século XXI, como dizem alguns bons especialistas.

A invasão do Iraque em 2003, a guerra no Afeganistão seguida com a queda do regime Talibã em 2001 e a própria primavera árabe iniciada 10 anos depois, foram as principais consequências que decorreram do 11 de Setembro, os Estados Unidos alcançaram objetivos que nem mesmo os maiores cientistas políticos mundiais previam depois daquela catástrofe que levou a baixo, o símbolo da riqueza e do capitalismo norte americano, o orgulho ferido, também ceifa vidas até hoje em países da África, da Ásia e principalmente, do Oriente médio.

Após os atentados terroristas, os EUA injetaram bilhões de dólares na chamada “Guerra ao terror”, que tinha como objetivos, encontrar Osama Bin Laden ( líder da Al Qaeda na época e responsável pela tragédia ) e destruírem seus antigos aliados, o Talibã afegão. Apesar disso tudo, os norte americanos arcaram com uma dívida externa gigantesca e tiveram que revisar seus procedimentos de segurança tanto na sociedade quanto nos aeroportos do país, que até pouco tempo, eram considerados os mais seguros do mundo. O exército deles não faliu, pelo contrário, o presidente George Bush fez questão de destinar mais verbas do estado para a indústria bélica e enviar homens para lutar no exterior, especialmente em países árabes, aumentando o salário do mesmo, conforme os anos de serviço prestado. Hoje, a indústria armamentista dos EUA é a maior do mundo e estima se que existam mais armas nas mãos de civis americanos do que dentro de um exército de um país subdesenvolvido.

Exato momento em que o ex presidente Bush é informado de que o país estava sob ataque. Bush estava visitando um jardim de infância na Flórida e sua reação ao saber do ocorrido foi filmada.

A relação dos americanos com os países árabes e islâmicos foi ficando, por incrível que pareça, cada vez mais forte depois dos atentados, isso porque os EUA perceberam que investir em guerras e comprar aliados para lutarem dentro do próprio território visando um propósito religioso, daria abertura para um comércio mais denso e flexível com nações exportadoras de petróleo (correspondente da metade da riqueza econômica dos Estados unidos) como Arábia saudita, o Iraque e os países do golfo pérsico, fazendo os chefes de estado dessas nações desenvolvidas apunhalarem seus antigos aliados pelas costas por dinheiro e status. Outro ponto que garantiu uma “vitória” maior para os americanos após o 11/09 foi a influência que eles tiveram naquela região, combatendo grupos extremistas e colocando no poder, ditadores que aceitassem formar uma aliança com o ocidente e calassem o próprio povo, que fazia questão de deixar claro que o lugar da américa, não era na política árabe, especialmente porque hoje, todos nós conhecemos os verdadeiros interesses dos EUA naquela região tão rica e histórica, do ponto de vista cultural e econômico. Um detalhe curioso que quase sempre passa batido, é que 15 dos 19 terroristas que participaram dos ataques em 2001 eram sauditas e, ao invés dos americanos tramarem algo contra a violenta família real da arábia saudita ou cortarem relações comerciais com esse país, eles simplesmente contrataram militares sauditas para ajudarem os soldados americanos na invasão do Iraque e a conhecerem mais os territórios desérticos dos países que seriam invadidos, até hoje, a Arábia mantém boas relações com os EUA, mesmo com tanta propaganda da família real contra o ocidente e Hollywood, que, segundo eles, é o símbolo da decadência moral das pessoas ocidentais. Já o Irã, é visto como um inimigo mortal dos EUA desde a revolução xiita em 1979, derrubando o último Xá da Pérsia, antigo monarca capitalista Iraniano, o país ofereceu até ajuda aos soldados americanos para derrubarem o Talibã no Afeganistão e capturarem Saddam Hussein mas em vão, hoje a nação é encaixada no chamado “Eixo do mal” pelo Estados unidos.

Também não podemos esquecer do avanço cada vez mais perigoso dos grupos terroristas. Depois dos atentados, com as guerras no oriente médio e a Islamofobia aumentando obscenamente no Ocidente, a rede Al Qaeda se disseminou e sem o apoio bélico e ideológico dos EUA ( antigos aliados ) formou o grupo Estado Islâmico, Jabhat El Sham (grupo nascido durante o conflito na Síria) e o Boko Haram, atuante na Nigéria, todos eles, com o propósito de destruírem os EUA e “vingarem” os muçulmanos que pensam como eles, uma vez bem armados e com bastante dinheiro (dólar) para sustentarem essas milícias, esses terroristas matam em nome da religião mas vivem em favor do senhor da guerra, espalhando medo e violência, em países árabes e recentemente, em países Ocidentais.

É possível traçar um panorama geral e geopolítico do cenário mundial após o 11/09, não é algo complexo mas é algo lógico, uma coisa puxa a outra, não só as guerras e as insurgências, mas a propaganda ideológica, a disseminação da xenofobia e de um falso patriotismo nos filmes, um imperialismo barato para manter o Status nesse xadrez político e também a criação da imagem da “vítima solitária”, que somente ataca quando é atacada, é isso que os americanos retratam até hoje por exemplo no conflito Israel-Palestina e a mídia, por sua vez dominada pelos sionistas, repassa exatamente essa mensagem. Uma coisa é certa, em países onde pisam americanos, ingleses ou qualquer outra super potência, atrelada ao seu grande Ego supremacista, o 11 de Setembro é todos os dias.